Acabei de digitar o derradeito caractere na minha tese. Não coincidentemente, o referido dígito foi esse: . Ponto final.
Um ponto final em uma etapa da minha vida (vaaaaaai, clichezudo!). Logo, um ponto-e-vírgula, na verdade.
Quando você conta a sua vida, mesmo em trechos, é de bom tom estético e narrativo fazer uso de ponto-e-vírgula. Indica continuidade, "ô, presta atenção que eu ainda não acabei". Ponto final é coisa de bilhete suicida. Aí é válido, literalmente.
Mas não é o caso aqui. Talvez esse seja o primeiro caso de bilhete de ressureição. Tipo, uma mensagem que alguém deixou antes de voltar à vida. Não está nos evangelhos, mas talvez Cristo tenha deixado algum post-it com um "acalma-vos, vos vejo no domingo".
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Seasons of Love/Seasons of Work/Seasons of Boredom/Seasons of Learn/Seasons of Seasons/Seasons of Strangeness/ Seasons of Growth/Seasons of Loneliness/Seasons of Her/Seasons of Me/Seasons of Minutes Without Her/Seasons Done
(letra comentada)
Five hundred twenty five thousands six hundred minutes Five hundred twenty five thousands six hundred moments so dear (hmm?) Five hundred twenty five thousands six hundred minutes How do you measure, measure a year?
In daylights (oh, I must have missed that...) In sunsets (what for?) In midnights (oh yes) In cups of coffee (OH YES. Bad coffee though)
In inches (but still thinking in centimeters) In miles (but still calculating in kilometers) In laughter (on myself) In strife (with myself)
In five hundred twenty five thousands six hundred minutes, How do you measure a year in the life?
How about love? How about love? How about love? (still here) Measure in love. (I did)
Seasons of(f) love.
Five hundred twenty five thousands six hundred minutes! (it's a fucking long time to cope with!) Five hundred twnety five thousands six hundred journeys to plan (one is enough, cheers) Five hundred twnety five thousands six hundred minutes How can you measure the life of a woman or man? (good question. Please refer to the ponto-e-vírgula stuff above)
In truths that she learned (I'll bet!) Or in times that he cried (idem) In bridges he burned (or "rompi com o mundo, queimei meus navios") Or the way that she died (vira essa boca pra lá mané!)
It’s time now to sing out (Gentalha! Gentalha!) Tho the story never ends (everlasting love) Let's celebrate remember a year in the life of(f) friends
Remember the love! (I do) Remember the love! (I just said I do) Remember the love! (Are you deaf?!) Measure in love (definitely)
Estou em fase de coleta de dados para minha tese de mestrado e a contribuição de todos é muito benvinda. E é muito fácil também.
Se você é fã da Madonna, por favor perca um minuto do seu dia para responder essa fabulosa enquete online. São apenas 7 perguntas, bem simples. Leva menos de um minuto, mesmo se você fôr disléxico. A enquete está neste link.
Se você é fã da Björk, é a mesma coisa. Só muda o link.
Se você é fã das duas, fique à vontade para acessar os dois questionários. Os dois estão em inglês. Fazer o quê? Exigência contratual...
Se você quiser recomendar essas enquetes a amigos, eu também não vou ficar triste, ok?
Uma coisa incrível isso. Sabe que faz um bom tempo que os arquivos desse blog ficaram indisponíveis, porque eu nunca dominei esses mistérios rúnicos de html, certo? Errado! Como vocês podem ver pelo post anterior, meus antigos manuscritos ainda estão flutuando no hiperespaço. Só o que é necessário fazer é digitar a data certinha na URL e voilá! Pois então, outro dia eu estava justamente fazendo isso, entrando as datas passadas e relendo todas as baboseiras dis últimos 2 ou 3 anos. Carái, como eu escrevia bem! E muito! Mas o ponto não é esse! A maior descoberta é que a artimanha também funcionou com datas do futuro! Sério! Vou dar exemplo, calma!
Achei no dia 13 de Agosto de 2005, sábado [aparentemente foi/será o primeiro post feito de volta ao Brasil]:
"Faz tão pouco tempo que voltei e já estou me sentindo totalmente à vontade. FELIZ! Na verdade achei que seria mais difícil, que ia ser atropelado já ao sair do aeroporto [, muy burro, olhei para a direita antes de atravessar], que minha avó ia ter um derrame ao ver meu piercing, que minha brancura de ricota ia ofuscar as pessoas e provocar pequenos acidentes. Pensei que minhas cachorras iam me morder, que eu teria reação alérgica a comida de verdade, que a cidade ia me parecer feia [e não pareceu!]. Enfim, pensei que ia ser uma re-adaptação um tanto traumática. Sabe bicho que o Ibama devolve ao habitat natural? Fica lá meio bobo daí vem uma coruja e crau. Mas o que eu estava receando mais era "O" reencontro. Ainda no avião, eu não conseguia evitar de pensar que ia ser um estranhamento sem fim entre ela e eu. Que nossas vozes iriam soar diferentes, que a textura ia ser sei lá, que iríamos ser meio formais. Essas burrices de Neanderthal que passou 4000 anos congelado. Uga-buga-bee-bee. O que aconteceu foi o contrário. Foi como entrar de novo numa casa que você deixou fechada por um tempo. Tudo familiar, tudo no lugar. Tudo como era, mas com uma aura de coisa que ficou sem música, um lugar onde ninguém dançou ultimamente. Entrei, escancarei as janelas e as portas, convoquei a banda e cantei todas as nossas músicas preferidas, bati nas panelas e movi os tapetes. Entortei todos os quadros [nossas fotos que um dia serão de família], enxotei para dentro alguns passarinhos, só pela bagunça e me esforcei para os vizinhos reclamarem. Quebrei louça, por pura alegria. Dancei no teto. Estou em casa de novo, meu amor."
E do dia 16 de abril de 2006, domingo: "Amo essa mulher, apesar dela ter pintado a parede da nossa sala de bege. Vou derramar vinho tinto na parede, parecendo acidente, só pra termos que pintar de novo."
Vejam o post publicado no Terceiro Mamilo em 24 de Novembro de 2003.
" Conhecendo por alto o espírito norte-americano, pode-se prever para breve a fundação de uma Instituição de Apoio às Vítimas de Abuso Sexual do Michael Jackson, ou algo assim.Os cerca de 50 membros receberão apoio financeiro e subsídio para tratamento psicológico do governo e da iniciativa privada. Um representante da igreja protestante fará o discurso de inauguração e Macauley Culkin será o patrono. A sede da instituição, localizada no rancho do artista na Califórnia ("a locação ajuda a despertar as lembranças das vítimas com mais clareza", afimará Latoya, coordenadora do projeto) e dotada de amplas instalações recreativas, equipes médica e assistencial e uma biblioteca especializada, promoverá jantares e eventos beneficentes para arrecadação de fundos que serão destinados ao combate à pedofilia. A entidade contará com sua própria editora, que publicará e comercializará relatos de capa dura e audio-livros das vítimas do abuso, com fotos de Anne Guedes. Nas sessões de terapia de grupo, os participantes usarão máscaras inspiradas na indumentária de Prince Michael I, Paris e Prince Michael II (que comparecerão incógnitos). As sessões serão gravadas e disponibilizadas ao mercado em DVD, com renda igualmente revertidas em favor das vítimas, cujos pais, os primeiros a incentivarem a visita de suas crianças ao reino de Michael, também receberão gordas pensões indenizatórias vitalícias por danos morais.Ainda nas sessões de grupo, imagens do cantor interpretando "Bad" serão exibidas e todos concordarão em conjunto, "sim, he IS bad and he touched my wee-wee". Todos relatarão detalhada e exaustivamente as experiências com o ídolo e compararão sentimentos. Haverá choro e muitos suspiros disfarçados de saudade dos tempos de mordomia passados em Neverland.Após 10 anos, será diagnosticada em 4% da população americana uma nova síndrome, o "Pânico Sexual" ou simplesmente "Jacko".Pode esperar. "
Sabe quando fulaninho usa aquela expressão, "ah daí eu fiquei fora de mim!". Pois é, ataques de loucura, bebedeira e ódio, além de manifestações metafísicas e experiências de quase-morte à parte, essa expressão não vale nada como função fática. Não orna. Mas eu posso usar com propriedade.
Tem quase 7 meses que estou vivendo fora de mim. Sabe, em suspenso? Naquele lugar em que a Carolaine olhava para a luz?
Essa não é um post de queixa não. Pelo contrário. Agora que já estou na curva descendente (Carolaine olha para a luz e coloca o Rayban), e impressão se tornou outra. Agora não dá mais saudades da vida que eu tinha lá, agora dá saudade da vida que eu vou ter.
Acaba de me ocorrer uma(s) coisa(s).
Se eu tivesse um analista, ele ia estar até cansado e sangrando, de tanta coisa que eu tenho pra falar sobre mim. Eu não ia affordar.
- A primeira coisa seria justamente essa. Descobri que meu cérebro modelo 1976SSP(RGbaixo) não tem tecla SAP.
- Outra: que me sinto bonito, bonito, bonito numa terra de gente feia, feia, feia. Ainda bem que os estrangeiros existimos.
- E mais. Estudando os negócios da música, vi que existem umas conexões que nem Krasilovsky, nem Passman, nem Harrison previram. Coisas do tipo: Quanto valor se agrega à cadeia suplementar e ao preço final de varejo (PPD) de uma obra musical protegida pela Copyright Law (1996) que, mesmo atestando prática de pirataria musical (considerado o principal erosivo da margem de lucro da indústria fonográfica de países como Brasil, Grécia e China), tenha sido executada em aparato de reprodução de música digital, aka iPod (ver artigo “iTunes is all about iPod”, Billboard, August 25, 2004 p.56), sem reporte direto ao MSPC ou PPL, e, supondo que se tratasse de uma faixa qualquer do álbum Come Away With Me de Norah Jones, tenha feito uma cara adulto e crescido (mencionei barbado?) chorar no metrô?
Hein? Hein?!
- Ah, essa é legal! Um amigo disse que eu cheguei à ultimate definição mais perfeita do cheiro do metrô londrino: “cheiro de ração de coelho molhada”.
- Saudade não é coisa que se sente, é coisa que se tem.
- Palavras ótimas! Bollocks!, Pissoglentis, Malaka*, Sakeganomitái, Huy, Nasdrovia, Yammas, Kalinixta, Warshavah, Bá-Shi... E a versão local do meu nome super-impronunciável: LÚWIE.
Repare também:
- Minha saudável coloração (Pantone #0000FF - Ricota Light)
- Meus cabelos desgrenhados! Descobri que aqui em Londres isso não é uma questão de estilo, não. É que nessa cidade venta pacarái!
- Olheiras!
(e esse é meu melhor amigo, o Patinho de Borracha)
Repare também: eu tirei a roupa.
PS: olha, é muito capaz de você não conseguir visualizar as fotos. Esse blog não lembra muito bem de mim, então não obedece direito. Daí, pacênça...
(ou você pode tentarver no meu ressurreito fotolog!)
O dia finalmente chegou.
OK. Não é "O dia", afinal, só vou embarcar no sábado. "O dia" é o sábado, 11 de setembro. Pergunte a qualquer americano se este não é "O dia".
Olha, não vou incluir aqui nenhum tipo de saga, do tipo "me conta como tudo aconteceu". Só digo que, há aproximadamente 11 meses, procurando na internet uma coisa totalmente diversa, tropiquei num curso que me fez a cabeça na mesma hora. Fui ver, gostei mais ainda, chequei, rechequei, prechequei (uêba!, gritam as sapas), inscrevi, enviei, falei, me testei, vi qual era, vi se dava e se valia. Uma vez aprovado, fui ver bolsa. Ganhei. E dava pra ouvir os arcanjos cantando os arranjos que fiz só por brincadeira (e dava até pra ouvir como os arranjos eram medíocres).
E olha aí, agora estou indo. KLM, sábado 11, esse sim "O dia". Volto em agosto.
"Ei, agosto já passou, Cuco-burro!".
Volto no outro agosto, aquele do 2005.
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Agora, o FAQ.
P: O que você vai estudar mesmo? Que curso é esse afinal?
R: (faz cara de reminiscência) Ah, isso me lembra o início dos anos 90. Sim, sim... Era a pergunta que meus tios, avós, primos de segundo grau me faziam quando souberam que eu ia cursar ESPM. "Ué, mas você não tem jeito de polícia militar! Você é o hominho sensívi da família!". Daí eu desconversava e dizia que tinha a ver com desenho. "Aaaaaah, agora sim!". Mas então, voltando à sua perspicaz pergunta. O nome oficial do curso que vou fazer é MA Music Business Management, ou Master in Arts - Gestão de Negócios do Mercado Musical. Algo assim. Resumindo, me coloca como especialista em coisas relacionadas a gravadoras, rádios, orquestras, editoras musicais, escritórios de direitos autorais, casas de concerto etc. É legal, é bem legal.
P: Onde você vai morar lá?
R: (faz cara de "localizando arquivo") Olha, sabe o Reino Unido? Então, tem a capital, Londres. Pois é, se Londres tivesse uma Itaquera, seria lá. Itacquersminstershire-Upon-the-Thames. Zona 4. É, mas o glamour não acaba aqui não, ok? Vou morar no campus da Universidade (nada a ver com o CRUSP), cercado de vários Ibirapueras (Ibirapuwhere?!).
P: Vai ter acesso fácil à internet?
R: Sim. Você, que não é um total estranho pra mim, pode continuar me escrevendo naquele endereço de sempre. E também vou estar no MSN e no Yakult. E já comprei a webcam, pra vocês acompanharem a minha crescente palidez.
P: Esse blog vai subsistir?
R: Ih, benzinho, já não subsiste há muito tempo. Esse post é só um longo espasmo. Ok, talvez brote outro no lugar, vou ver.
P: Qual item de São Paulo vai te fazer mais falta?
R: (faz cara de Austregésilo de Athayde) Aaaah, eu me lembro das regatas no rio Tietê, dos bailes na Av. São João, tempos bons, aqueles, blé blé blé... Olha, acho que São Paulo teve um papel tão fundamental na minha formação de pessoa/leitoa humana, que posso dizer com segurança: tudo em em São Paulo me fará falta. Exceto, é claro, a violência, o caos do trânsito, os preços altos, o tempo chuvoso, a frieza da maioria de seus habitantes, as filas para qualquer atividade social etc. Sim, porque tudo isso eu vou encontrar em Londres, fácil, em graus menores ou maiores que aqui.
Mas eu posso dizer, sem demagogia, que o que vai me fazer falta no cenário é a possibilidade sempre constante de, sei lá, olha, sábado à tarde, você liga praquele seu amigo de longa data e fala "e então, vamos nos encontrar em tal lugar, tomar cerveja, dar risada etc?". É, isso eu não vou ter fácil não.
P: E do Brasil?
R: Sol. Café bem feito. Gente bonita. Música. A estrada de Santos. Guaraná. Pastel de feira. Pão de queijo. Cigarro barato. Churrasco com carne de verdade. A Avenida Paulista num domingo de sol. A Daniela Merc........lsk gdh sudgks d87dfyuuuuuuuuuuuuuadsghhhhakjjsks.
Desculpem a interferência, tive um pequeno derrame.
P: Quem você espera encontrar na rua em Londres, assim, tomando um café e comendo uma torta de rim?
R: Ah, tem a Madonna, a Charlotte Church, tem aquelas Garotas-Tempero, o Anthony Hopkins, a Narcisa, a Princesa Carola etc... Tirarei fotos.
P: Vai visitar o Bob em Paris?
R: Vou sim, assim que ele me mandar o mapa de Osásque.
P: E a Bee-Bee como fica?
R: Como não: onde. No meu coração, como sempre. Ela está orgulhosa de mim e me dá o maior apoio pra seguir esse sonho. E sem esse apoio e a certeza de voltar para os seus braços eu não conseguiria. Te amo, lindeza. E VOCÊS CUIDEM BEM DELA NA MINHA AUSÊNCIA!
P: Promete que jura que volta logo?
R1: Por que, quanto tou te devendo?
R2: Da parte de quem?
R3: Sim, garanto.
Pois então: estou curtindo meus últimos dias como funcionário oficial. Em breve engordarei as estatísticas de desemprego em São Paulo.
Acho que essa é a primeira vez que meu desligamento foi planejado. Em todos os meus outros empregos, ou aconteceu de eu ser "saído" assim, sem mais nem menos, no elegante estilo "pegue suas coisas antes que os cachorros sejam soltos e não, não pode nem usar o banheiro antes" ou eu mesmo me encarreguei de acordar de manhã e decidir dar um tchau. Do tipo "chefe, hoje é o último dia em que você me vê, assina aqui."
É mais gostoso assim. Todo mundo sabe que você tá saindo em breve, então o comportamento muda. Pro bem. Não dá pra reclamar de nada. Aliás, este meu mais recente emprego, atual por enquanto, foi o melhor de toda a minha vida profissional. Divisor de águas mesmo. Foi só depois de entrar aqui que os rumos futuros ficaram mais nítidos e com certeza meus planos e decisões mais recentes (e radicais) também vieram daí.
PS: dadas as atuais conjunturas, minha em breve nova vida demanda um blog inteiramente novo. Isso se houver espaço para um blog. Eu mando notícias.
Eu ia contar uma coisa bem legal aqui, mas o momento passou e também não é notícia pra ser deixada assim, num blog que ninguém mais lê. Às pessoas que eu encontro, eu conto, ou não.
Aguardem performance ao vivo.
Alguém já se sentiu anestesiado, assim, dos olhos pra trás até a nuca?
Tem tanta música que eu queria cantar agora, mas se fosse escolher uma só, seria Sinal Fechado (Paulinho da Viola).
Ou aberto?
Olá, como vai?
Eu vou indo, e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo
correndo pegar meu lugar
no futuro, e você?
Tudo bem eu vou indo em busca de um sono tranquilo
Quem sabe?
Quanto tempo
Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Qual! Não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona
Precisamos nos ver por aí
Pra semana, prometo, talvez nos vejamos
Quem sabe
Quanto tempo pois é
Quanto tempo
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge à lembrança
Por favor telefone eu preciso saber
Alguma coisa rapidamente
Pra semana, o sinal
Eu procuro você, vai abrir, vai abrir
Eu prometo não esqueço
For favor não esqueça, não esqueça
Não esqueça
Adeus
Em sessão da UNCTAD realizada em São Paulo, o secretário Rubens Ricúpero oferece ao presidente da ONU uma lembrancinha marota do evento. É uma bandeira com o símbolo da ONU, mas – turuntutssssss! – no verso da mesma está estampado o estandarte da verde-e-rosa escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Engraçadão ele. Deve ter achado que uma escola de samba é o que há de mais genuíno e representativo de nossa sociedade. E por que a Mangueira? Não podia ser Portela? Ou Viradouro? Ou, se tratando de um evento realizado em São Paulo, da Vai-Vai ou Rosas de Ouro?
Enfim, isso não é nem tão importante. Ele poderia até ter encomendado ao Ziraldo uma bandeira fictícia: a da Unidos das Nações Unidas.
E, pra levar ainda mais longe a gracinha, podia ter encomendado um samba-enredo exclusivo, que representasse os povos, não só do Brasil, mas do mundo inteiro. Teria letra em esperanto, de autoria de Jorge Luís Borges, música de Arnold Schoemberg, arranjo de Alanis Morrissette, vocais de monges tibetanos, percussão da OTAN, figurino a la Luís XV e evolução de Charles Darwin (hein? hein?).
Ah, se eu era assistente do Ricúpero! Mesmo se a verba fosse fraca, eu poderia propor outros itens altamente originais e representativos da sociedade brasileira, como uma prostituta cearense de 12 anos, um cocar indígena manchado de sangue, um boletim de um aluno da rede pública de ensino (em ponto-cruz, veja bem), um DVD do É o Tchan na ONU (hein? hein?), um fóssil artificial de mico-leão dourado, um artista talentoso que nunca conseguiu gravar um disco ou expor uma tela, uma versão impressa integral dos cinco blogs brasileiros mais populares, um Lego-Carandiru para montar, invadir e implodir, um Maluf de pelúcia etc.
Ué! Não foi ele que foi pego dizendo que não tinha escrúpulos?! Antão!
E quem nunca foi infame que atire o primeiro Índio Cleberson!
Sabe que me arrumei um passatempo novo? E grátis!
Às vezes eu chego em casa com uma música na cabeça e vou pro computador brincar de arranjador. Sério.
Outro dia mesmo, voltando pra casa de carro, começou a tocar "Êxtase", daquele mala-velha do Guilherme Arantes. Falei "putz!, olha que arranjo brega!" Fui lá e fiz os 8 ou 10 primeiros compassos, pra 6 vozes.
Fiz também "Smells like teen spirit" do Nirvana, mas esse não tinha tanto potencial e abandonei já nas primeiras linhas de soprano.
Houve outros. "I'm Only Happy When It Rains" (Garbage), "What a Difference a Day Made" (versão Dinah Washington), "The Mirror of your Eyes" (Maybees), "Geme-Geme" (Blitz). Só coisas com baixíssima probabilidade de virem a ser cantadas um dia, só pura diversão.
Eu me sinto como uns nerdzinhos que passam horas solucionando problemas de álgebra por prazer. Eu tive um amigo que ficava desenhando e resolvendo problemas de mecânica nas toalhas de papel nas pizzarias.
Nesse sentido, nem tem tanta diferença com o que eu faço. Às vezes é raciocínio matemático, é interessante. "Aqui deveria cair a quinta aumentada, mas daí gera trítono com a nona do acorde, então não pode. E cuidado pra não dobrar a terça, já que contralto está sozinha num solo que contém sétimas.Vou passar o tenor para a linha dominante, pois daí não vai ficar evidente demais. E coitada dessa soprano, estou colocando um si bemol pra ela. E meu Deus, que acorde foi esse que eu criei??!"
Ah, eu sou um nerd involuído.
Daí um fala "aaah, vai bater punheta que previne câncer!"
Vai você, então.
Hoje, no meio de uma das muitas conversas de altíssimo nível cultural e artístico que travo diariamente com a mais variada gama de pessoas, fugiu-me da lembrança o nome do emérito pianista e arranjador César Camargo Mariano.
Daí eu lancei: "aquele, o pai da Maria Rita!"
Só pra ver como essa-menina-olha-só-peguei-no-colo-como-cresceu-tá-uma-moça!
Ah, eu adoro estragar tudo.
Imaginei uma versão da antiga brincadeirinha infantil Gato Mia, especialmente para modelos.
- "Buli Mia!"
- "Blearh!"
- Ah, é você, Nadyne!
Também estão disponíveis as versões de Desfila-Cotia e Pega-Pega-à-Porter, e os brinquedos Lipo Tinadora, SubMassa, Genius [de um tecla só] e Turma da Moranguinho sem Açúcar.
Hoje eu vi um grupo de sete ou oito minúsculos pardais espancando um gavião médio da proximidade de seus ninhos, no meio de gritos e bicadas. Puseram o gavião para correr, ou voar.
Se eu fosse gerente de RH ou trabalhasse com motivação laborial, com certeza estaria agora redigindo uma fabulazinha enfadonha que mostraria como a união de várias pequenas forças podem suplantar uma força supostamente maior e atingir um objetivo comum.
Mas como estou livre dessa sina, eu me limitei a terminar meu cigarro, pensar algo como "gavião idiota, bem feito" e escrever um post.
Eu reconheço que sofro de vários distúrbios crônicos quando o assunto é leitura. Eu leio muito, desde feto, e assim a gente acaba contraindo certas deformidades e vícios incontroláveis. Nada que prejudique sua vida com gravidade, mas que, por vezes, dependendo do grau de contaminação, requer certos cuidados.
Bulimia Literária. O doente chafurda no(s) livro(s), devora tudo em poucas horas, às vezes sem mastigar, até se sentir completamente entupido com seu conteúdo. Começa com umas crônicas ligeiras, para abrir o apetite. Então vem a salada, aparentemente leve mas nutritiva. Um Ítalo Calvino fininho. Daí engata um Machado de Assis, com muito molho. Decide se arriscar, fechando a orgia com uns continhos básicos, docinhos. Ainda não satisfeito, relê o Deus Segundo Laerte, como digestivo. Depois de fumar umas noticiazinhas de jornal, vomita tudo e recomeça a orgia.
"Doença do Hamster". Medo paranóico ancestral de ficar sem o que ler. Tal qual o hamster que guarda restinhos de comida nas bochechas, o paciente mune-se de material literário, consumido pela metade, pilhas de livros meio-lidos no criado-mudo. Em casos de desespero, como durante crises de insônia, consome-os aos pouquinhos, à medida que acrescenta mais material semi-digerido ao estoque.
Síndrome da Heloísa Gutembergomaníaca. A vítima dessa anomalia enamora-se perdidamente por determinada(s) obra(s), a ponto de acreditar que ao fim do último capítulo sua vida perderá grande parte do significado. É um caminho triste e sem volta. O paciente começa a racionar o consumo do conteúdo da obra, ao mesmo tempo em que parece não enxergar à sua volta outros textos tão bons quanto o objeto de sua obsessão. Inicia-se uma tortura ilógica, em que se permite a leitura de apenas uma ou duas páginas por sessão, geralmente diária. O terror cresce acompanhando o número no rodapé da página. Em alguns casos graves, o anômalo chega a consumir até o índice remissivo e a bibliografia. Tratamentos a base de releitura em looping foram tentados, porém sem sucesso.
Distúrbio My Precious. Não confundir com a Síndrome da Heloísa Gutembergomaníaca. Trata-se da dificuldade incontornável de se desfazer de qualquer obra impressa. Surtos de generosidade, como a doação de obras para instituições, podem ocorrer, mas são geralmente seguidos por sintomas como depressão e choro. A venda dos volumes nunca ocorre, pois o distúrbio tem natureza psico-religiosa e interpretaria o ato como a prostituição crua de seus bens. O empréstimo de obras de estimação, quando ocorre, é feito sob estrita supervisão e merece o mais alto grau de preocupação por parte do paciente, e pode causar vômito.
O apego à figura física do livro, ainda que este esteja obsoleto ou em mal estado, torna-se um estorvo patológico à medida que causa crônica [nham!] falta de espaço e problemas com ácaros e traças.
Autismo Literário Agressivo. O portador dessa doença torna-se completamente alheio ao ambiente exterior às palavras do livro consumido, mergulhando num estado de letargia física somente interrompido pelo mecânico virar das páginas. Ao mesmo tempo, torna-se extremamente sensível a qualquer fator externo que venha a separa-lo, mesmo que momentaneamente, de seu mundo particular criado pela leitura. O comportamento nessas ocasiões é classificado em seu grau mais brando como anti-social. Não obstante, já foram registrados casos de agressão verbal ou física.
Por falta do que escrever, eu finalmente elegi as 3 melhores palavras para se dizer usando o charmoso sotaque do interior paulista: "borsa", "bissurdo" e "vurva".
Pratiquem! Usem indiscriminadamente!
Como já disse o Luis Veríssimo, "assunto" é uma parte do boi, hoje em dia muito escassa.
Lanço a idéia de que tudo o que poderia ser escrito em formato de posts está perto de seu esgotamento final.
Já se escreveu de tudo, ou quase tudo, já se postaram todas as fotos e desenhos. Se todas as fotos DO MUNDO ainda não estão disponíveis online, foi porque o Blogger deu erro na hora de postar.
As caixas de comentário também vivem se perguntando "ué, já não disseram isso aqui antes?". Tadinhas, acham que é erro na Matrix...
Já se citaram todos os autores. Até Luis Fernando Veríssimo, tenho certeza, vi em algum lugar. Os melhores autores da literatura nacional hoje são uns seis blogueiros, que já vêem sinais de que a aposentadoria não está longe.
A ferramenta mais "produtiva" de nossos dias - quando eu falo nossos dias não quero dizer "nossa época", "nossa geração", "os últimos anos ou décadas" ou "o século 21", e sim, nossos dias mesmo, digamos da última quinta-feira pra cá - é o uso desenfreado do copy-paste.
É a autofagia de conteúdo. Eu te copy-pasteio, ele me copy-pasteia, nós nos copy-pasteamos e todos, para sempre, copy-pastear-se-ão, sem preconceitos nem preocupações quanto a direitos autorais, pois não há mais como saber o verdadeiro autor de nada. A comunicação escrita humana vai toda virar um infinito post, pulsante e amorfo, e todos os problemas de linguagem serão solucionados.
[ou então, tudo vai se fundir e autodissolver até a síntese em uma única palavra, que poderá ser "bjux"]
Já existem até empresas especializadas em consultoria de conteúdo pra blogs. São corporações enormes, que ocupam edifícios inteiros na Avenida Paulista [inclusive aquele da D. Armênia]. Já existe até uma ala de Brasília que está sendo reformada para receber estes sofisticados escritórios.
É assim: você paga uma taxa e eles copy-pasteiam pra você diariamente. Deixam até comentários e emoticons pra cada post plagiado que "você" escrever. Eles mudam discretamente a forma dos posts reciclados, dão uma diagramada e voilá: olha os seus quatro counters saltando de 10 para 13 visitas diárias! É bacana esse negócio, dá dinheiro e estimula a sociedade.
Estas empresas também são as detentoras dos últimos 8,6% de "Conteúdo Inédito para Blogs" [CIB] existentes no mundo. Valem muito mais que petróleo e maná batidos com ouro e moldados na forma do logo da Nike, são guardadas a vinte e oito mil chaves.
Mas pode esquecer, dizem que já estão reservados para o blog da Sasha, quando ela fizer 14 anos. Então pode esquecer.
Vergonha Onírica Dia desses usei num sonho a pior, a mais infame e imbecil analogia que alguém jamais poderia ter a mais vaga idéia de empregar. Foi dirigida a um grupo de pessoas que faziam a maior zona na minha sala, e era assim:
"Vocês parecem um elefante branco numa loja que só vende pretinho básico!"
O orçamento do sonho devia ser tão baixo (vide o roteirista que conseguiram!) que nem tive direito a palmeiras ao vento.
Uma carroça de cortiça carregada de bigornas, puxada Peixoto Gomide acima por uma velha perneta de patim, em dia de chuva torrencial e no contrafluxo de uma procissão evangélica.
Meu computador em casa:
A mesma coisa, mas a velha perneta está de ki-chute.
Comecei um curso de vinhos. Para beber profissionalmente.
Hoje não tinha cueca limpa, então estou de sunga.
Sonhei com Café Seleto.
Acordei jurando que era sábado e continuei na minha cama enorme.
Como é 1º de abril, HOJE não vou contar nenhuma mentira.
Sexyness no Orkut: ZERO. Eu já sabia.
A Páscoa não significa nada pra mim.
Às vezes tudo se encaixa tão bem que não dá nem pra ver as emendas.
Estou morrendo de preguiça.
Ontem comi um Ouro Branco e acho que não estava bom.
O botão que preguei na semana passada caiu.
Leiam a entrevista do Laerte na Caros Amigos!
Apesar da assertiva nº5, não garanto nada.
Bom, agora o blog foi operado e a equipe conseguiu resolver os problemas de encoding. Mas só na página atual. Os arquivos continuam zoados.
Tem culpa eu?
Alguém se importa?
A-ha!
Acho que vou comessar a escrever como os adolescentes de hoje.
Sim, pois acredito pertencer a ultima gerassaaun que estudou e pratica acentuassaun e gramahtica. Morro de orgulho de mim e de pena dos revisores da Fuvest.
Edição posterior: o blog já foi consertado, mas deixarei este post intacto, para o fortalecimento de meu caráter e o dos leitores. Pensem nas crianças mudas telepáticas que não sabem usar crase.
Sabe, da 2ª à 5ª série eu tive um amiguinho na escola. Ele era o melhor amigo, era engraçado, tinha um humor bem sarcástico [para uma criança de 9 anos], era inteligente e bem informado sobre tudo o que era relacionado a arte, quadrinhos e cultura pop [de novo, para uma criança de 9 anos]. O nome dele era Caio e nós nos dávamos muito bem. Assim como eu, ele odiava esportes e, acima de tudo, futebol. Já tinha alguma experiência em viagens internacionais e eu gostava de ouvir o que ele contava, principalmente dos Estados Unidos. Ele tinha coisas e brinquedos bacanas também.
Eu quase que aprendi a desenhar com ele. Eu já tinha jeito pra isso, mas vê-lo desenhar fui decisivo para eu me desenvolver também. Fazíamos mini-competições. Quem desenhava o melhor Garfield ou o melhor Snoopy, coisas assim. As meninas da classe julgavam e ora vencia um, ora o outro.
Voltando ao senso de humor que já mencionei, acredito que uma parte do meu sarcasmo, ironia e humor negro veio justamente dele. Caio era muito criativo e engraçado. Por ser mirradinho, escapava dos valentões de 10 anos justamente por sua capacidade de encontrar saídas espirituosas para qualquer problema. Isso funcionava também com as professoras. Aprendi com ele a não fazer lição de casa e não sofrer as conseqüências.
Caio era filho único de pais separados e também isso tinha uma certa aura de alguma coisa. Nós éramos muito próximos, desenhávamos juntos o tempo todo e um ria de tudo o que o outro falava. Tínhamos planos de fundar um "ateliê de desenhistas" juntos, o que quer que isso seja. Falávamos em tomar o lugar do Jim Davis e do Schultz. Aliás, ele assinava "Caio, o supergênio do desenho".
No final da 5ª série, o pai do Caio, que era diplomata, foi transferido para os EUA e ele foi morar lá. Nunca mais nos falamos. De vez em quando, lembrava dele e pensava "o Caio deve estar desenhando pacarái, deve ter se tornado um super artista, ter feito cursos em universidades fudidas etc."
Enfim, hoje à tarde dei uma busca no nome dele e encontrei.
[grande espaço vazio; sumidouro]
Sua maior obra é "A Nova Era da Venda de Seguros" e hoje ele assina "Marketing specialist".
Uma parte da minha infância acabou de morrer uma morte horrível, tipo, um tubarão com um só dente gasto, mastigando lenta e pacientemente uma criança em uma piscina de atum sintético.
O e-mail de contato dele também está lá, mas não sei se quero.
Timing é tudo. Foi por uma questão de uns poucos dias que o Jorginho Guinle deixou de ser incluído naquela homenagem póstuma especial que eles fazem na cerimônia do Oscar. Sabe quando aparece "Phulanow Smith, screen writer", com alguns letterings de nomes de filmes que o cara roteirizou e todo mundo aplaude? Então: ia aparecer "Jorginho - Jorgie? - Guinle, movie stars fornicator" e algumas senhoras na platéia iam corar.
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Kaori, o melhor nome para a sua gata[o] é Buba. Ou Brandon Teena. Ou Sarita.
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Quem nunca assistiu Sergio Mallandro num sábado à noite que tome o primeiro Prozac.
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Bah!
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Bob me mandou uma coisa INESTIMÁVEL via Claudia Naoum. Além da linda cartinha [agora lembrei da "Cara Fantine"], que certamente vou responder, também manuscrita, um single de "Turn Around" [Total Eclypse of the Heart] em francês, "Si Demain". Adorei!
Alguns dirão que estou adiantado, mas lanço a questão:
Alguém concorda que NÃO EXISTE COISA MAIS ESTÚPIDA DO QUE O DIA INTERNACIONAL DA MULHER?
Sim, me adiantei alguns dias porque este post tem um caráter profilático e preventivo. Mulher, se no dia 8 algum homem babaca do escritório, ou o porteiro, ou seu ginecologista, ou seu spammer preferido lhe enviar flores, ou bombons, ou cartões, ou simplesmente lhe disser um "parabéns pelo seu dia", minha amiga, a única reação sensata é OFENDER-SE e INDIGNAR-SE.
E isso não é ciúme masculino. É claro que um Dia Internacional do Homem nem pegaria mesmo. Não teria o mesmo apelo institucional. E por isso mesmo não seria tão ofensivo. Mesmo porque, nenhum homem lembraria.
Mas pense, Mulher.
Eu não sei quando, nem como, nem por quem essa data foi instituída. Tampouco sei se as intenções eram as melhores ou não. Mas, na minha leitura, é uma data preconceituosa e burra. Bem do tipo, os homens do mundo dizendo: "olha, é verdade que durante milênios nós humilhamos e subjugamos e escravizamos as mulheres social, profissional, sexual e culturalmente, e também tem o lance de conseguirmos mijar em pé, mas - olha só - estamos nos redimindo ao reservar 24 horas por ano para lhes prestar homenagem e louvar seu valor."
O preconceito começa aí mesmo. A Mulher é colocada como um bicho à parte, tão especial [por quê?] que merece um dia só pra ela. "Você nasceu sem pênis, então parabéns!*" É claro que muitas burritas não se dão conta de que o ano tem 365 dias [e este ano tem 366!] e que no resto destes dias ela volta a ser colocada na penumbra.
Depois, acho que isso não redime ninguém de nada. E daí que no dia 8 de março alguns homens baixam um pouco a bola e dão-se o trabalho de comprar uma rosa murcha no semáforo ou mandar um email para a secretária, ou mesmo de tratar uma colega com igualdade?
É como as bissinhas, zapatas, bissexuais e transgêneros que esperam um ano pra despirocar na avenida Paulista, porque "efe é o nofo dia!". Ei, acorda e limpa o rímel! Todo dia é dia de exercer seus direitos civis!
Se o sentimento de respeito fosse sincero, isso seria feito com 365 vezes mais freqüência. As diferenças entre oportunidades de trabalho e papéis sociais e familiares seriam menos díspares. E também se colocaria a mulherada no alistamento obrigatório e cada um cuidaria de trocar seu próprio pneu. E, se é pra mudar de vez o tom do discurso, ORGASMOS MÚLTIPLOS PARA TODOS!
Portanto, amiga portadora de cromossomos XX, ao notar diferença de tratamento por parte de qualquer homem no dia 8 de março, cuspa, arrote, denuncie para a Camille Paglia, bata com o pau na mesa [pode ser emprestado], desça do salto, coce ruidosamente suas vergonhas e assedie a secretária. E durma imediatamente após transar.
*antes que me acusem. É que li algum dia em algum lugar que a forma politicamente correta de se chamar uma mulher é "ser humano desprovido de pênis". Que imbecil, não? Muito americano.
Fiquei com medo de mim mesmo ao escutar Sarah Brightman pela enésima vez, com sua voz infantilzinha e seus vícios vocais e - ai ai ai - sinceramente gostar. É claro que não estou falando de bobagens como "Con tè partirò" e sim de "Nessun Dorma" (Turandot, Puccini). Mas fiquei um pouco preocupado.
Mas pouco depois percebi que nem tudo está perdido, pois ainda tenho engulhos e vomito por dentro ao escutar [o verbo "ouvir" não se aplica muito aqui] coisas como Beastie Boys.
Acredito que uma pessoa tem a obrigação de cultivar certos preconceitos, para sua própria saúde musical. Conheço casos terríveis, como as netas do Dorival Caymmi filhas de Nana Porcaymmi, que dançam o Bonde do Tigrão, renegando alguns genes vitais [os tetranetos do velho deverão ser alguma espécie de pagodeiros punk]. É como se os netos de Einstein resolvessem fritar seus cérebros com ecstasy.
Eu, que venho de uma linhagem de ouvintes de Julio Iglesias, Roberto Carlos, Irmãs Galvão e Roberta Miranda, ainda me esforço para passar alguma mutação benéfica para minhas futuras descendências. Obviamente o período reggae de 1995 e um efêmero interesse por vida e obra de Raul Seixas representam uns passos atrás, mas estou tentando consertar/concertar.
Viagem de carro. Engarrafamento. Baladinhas de beira de estrada. Lésbicas Motoqueiras Xamãs. Hell's Angels de Juquitiba. Risadas. Premê. Haydée. Santa Catarina. Casa maravilhosa de frente para o mar, areia fina, águas quentes, cortesia de Lemãozinho. Aftas arden. Gatinha. Muito sol. Vici'hos. Churrasco. Lilo e seus Gordos. Garçon surdo. Sobremesas preconceituosas. Ócio na areia. Camarão e cação e cerveja e caipirinha. Siri. Risadas. Pinhé. Ousadias com sal. Cinzeiros invejáveis. Uma compra no tamanho e cor errados. Cookies da Kaori. Leseira. Camisetas exclusivas. NO TELEVISION AT ALL! Coisas piçarras. Pele queimada, cabelo seco. Bloco Tô Facinha. Púdel. Oma. Máscaras exclusivas [medo]. "Aaaaaah, como assim?"
Foi um CARNAVAL D'HAYDEE COMO HÁ MUITO TEMPO NÃO SE OUSAVA FAZER!
Olha, faz uns bons anos que eu não ficava tão ansioso pela chegada do Carnaval.
Olha, o messenger meio que transformou minha rotina de trabalho.
Olha, será que ela é moça?
Olha, já voltei ao estágio em que malhar me dá prazer.
Olha, é fácil escrever como o Arnaldo Antunes.
Olha, Big Brother é realmente a junção de tudo o que é ruim no ser humano.
Olha, as coisas têm tudo pra serem ótimas este ano e a partir dele.
Olha, vamos viver um dia de cada vez, sem pressa.
Olha, vamos dormir juntos, sem hora pra acordar.
Olha, superexposição da imagem pode se tornar um problema grave.
Olha, não me liga pra eu comprar uma rifa.
Olha, tem certas coisas que viciam.
Olha, o mês de fevereiro quase me leva à falência.
Olha, eu não preciso seguir uma religião, nem novela.
Olha, meu cabelo precisa de cuidados.
Olha, eu até queria gostar mais de samba.
Olha Maria...
Olha, o meu jeito de falar e agir não diz tudo.
Olha, que post chato, você dirá.
Olha, foda-se, eu direi.
Olha, vamos aprender umas músicas legais.
Olha a lua mansa se derramar.
Olha, preciso tomar sol.
Olha, a Haydee precisa trabalhar menos, ou mais devagar.
Olha, conversando qualquer um entende qualquer coisa.
Olha, que saudade de cantar.
Olha, quanta coisa pra ser feita.
Olha os atores pelados no palco.
Olha cada livro bom que tem.
Olha, não é sempre que eu entendo tudo.
Olha o fogo, olha a relva, cala a boca, Bárbara!
Olha, antes que eu guarde.
Olha, animais não usam roupa de baixo.
Olha, não faço mais isso.
Olha que coisa mais linda a Helô Pinheiro que passa.
Olha, tenho saudades de não fazer nada.
Olha, estrelas!
Olha, eu até que tenho bebido bem menos.
Olha, ainda não aprendi a dormir sozinho na cama de casal.
Olha, os capítulos do Chaves decupados e reconstruídos.
Olha, melhor parar por aqui.
Eu sei muito bem que parodiar a obra de Chico Buarque pode dar cadeia. Também sei que, mesmo quando não dá cadeia, é inferno na certa. Mas não importa, já tô fu mesmo.
Quem conhece "Joana Francesa", vai cantando com sotaque francês.
Juana Francisca (1999)
Te vi no metreau
Teus pé no metreau
Tu deu un tropíco,
Bobeau, le train pegôt
Geme de prazer o condutor
"Fique atrás da faixa"
Acorda, acorda, acorda...
Mata-me de rir
Fala-me da dor
Sangues e mais sangues
Sei de longe pelo odor
Geme de prazer o condutor
Lá no Jabaquarra
Acorda, acorda, a corda, a corda, a corda
Vem sangrar no solo
Vou te atropelar
Vem mulato
Mole você vai ficar
Vem moleque, vem
Que você vai virar
Bife à milanèse
Quem me atropeleau
Le train m'arrebateau
Tu vireau paté
E tua carcasse, un coadeaur
Geme de prazer o condutor
"Te pego na Bresser",
Acorda, a corda, a corda, a corda, a corda, acorda...
Quando eu morrer, de susto, de bala ou vício, ao adentrar os portões do Paraíso [será?], vou receber uma enorme caixa de papelão contendo todas as coisas que perdi/desencontrei em vida. Como sou muito organizado [hohoho!], já preparei uma listinha do que pretendo encontrar na caixa:
_uns sessenta e seis guarda-chuvas
_cerca de cento e cinqüenta botões, de todos os tamanhos, feitios e cores
_uns trinta e cinco pés de meia avulsos
_duas ou três luvas avulsas
_seis ou sete agasalhos ou blusas
_uns quatro mil e cem isqueiros
_três mil, cento e sete canetas Bic
_dois relógios roubados
_dez camisinhas [novas]
_pilhas
_de três a seis anéis e brincos
_o equivalente a uns quinhentos reais em moedas
_um álbum de figurinhas do Garfield, confiscado pelo professor de geografia na 6ª série
_o bonequinho do Aríete, da turma do He-Man
_dois documentos de identidade
_quinze comprovantes de depósito
_passes de ônibus e tíquetes-refeição
_um molho de chaves
_quatro ou cinco pares de óculos, escuros ou não
_quarenta e oito pedaços de papel com números de telefone que poderiam ter mudado minha vida
_cerca de cento e noventa emails não recebidos pelo bol, yahoo ou hotmail
_duzentos e dezesseis arquivos importantes perdidos em “erros fatais”
_uma cobra coral que eu criava e que fugiu
_cerca de doze CDs
_quatro ou cinco amigos
_uma fita VHS com todos os episódios do TV Pirata a que não pude assistir
_quatro litros de sangue
_quase um par de amígdalas
_cerca de cem mil fios de cabelo, de diversos comprimentos
_cerca de dois bilhões de neurônios
_setecentos e quarenta mil minutos completamente sem uso
_quatrocentos e cinqüentas dias de sol
_vinte e cinco finais de piada
_três ou quatro oportunidades de ouro
_cento e sessenta e uma ótimas oportunidades de ficar calado
_lembranças não adequadamente fixadas, inclusive a segunda metade do meu baile de formatura
_dois templates de blogs
Hoje o sonho foi muito... [rápido! qual é a palavra??]
Eu encontrava amigos de infância e juntos rumávamos para o show dos Gipsy Kings na Cohab.
E, naturalmente, chegando lá descobri que estava pelado.
E alguém tinha roubado minhas tatuagens.
Este blog ou seu mantenedor
_não está em reforma
_não apresenta problemas técnicos
_não foi atacado por vírus
_não foi censurado pelo Partido Republicano
_não está de férias ou fora da área de cobertura
_não está envergonhado ou arrependido de seus arquivos
_não está fazendo a dieta do Dr. Atkins
_não sofreu represália de nenhum tipo
_não cansou de sofrer como a Debora Secco
_não desistiu do curso
_não fraturou o template
_não virou Amish ou Santo Daime
Só não está rolando por um tempo, ou pelo menos não com a mesma freqüência.
Ok?
Engole o choro.
Na década de 1930, o físico alemão Albert Einstein revelou ao mundo uma nova faceta do universo, através da publicação de sua polêmica Teoria da Relatividade (E = mc²), que levou o ambiente acadêmico científico a uma completa revisão de seus conceitos.
Porém, na época, o mundo não estava preparado para sua principal criação, recentemente revelada por teóricos da Universidade de Dresden.
Quão insólito é saber que - oh! - eu realmente não me importo.
E isso serve pra tudo e todos, com exceção de uns quatro ou cinco itens.
Seis. Sete, no máximo.