Em sessão da UNCTAD realizada em São Paulo, o secretário Rubens Ricúpero oferece ao presidente da ONU uma lembrancinha marota do evento. É uma bandeira com o símbolo da ONU, mas – turuntutssssss! – no verso da mesma está estampado o estandarte da verde-e-rosa escola de samba Estação Primeira de Mangueira.
Engraçadão ele. Deve ter achado que uma escola de samba é o que há de mais genuíno e representativo de nossa sociedade. E por que a Mangueira? Não podia ser Portela? Ou Viradouro? Ou, se tratando de um evento realizado em São Paulo, da Vai-Vai ou Rosas de Ouro?
Enfim, isso não é nem tão importante. Ele poderia até ter encomendado ao Ziraldo uma bandeira fictícia: a da Unidos das Nações Unidas.
E, pra levar ainda mais longe a gracinha, podia ter encomendado um samba-enredo exclusivo, que representasse os povos, não só do Brasil, mas do mundo inteiro. Teria letra em esperanto, de autoria de Jorge Luís Borges, música de Arnold Schoemberg, arranjo de Alanis Morrissette, vocais de monges tibetanos, percussão da OTAN, figurino a la Luís XV e evolução de Charles Darwin (hein? hein?).
Ah, se eu era assistente do Ricúpero! Mesmo se a verba fosse fraca, eu poderia propor outros itens altamente originais e representativos da sociedade brasileira, como uma prostituta cearense de 12 anos, um cocar indígena manchado de sangue, um boletim de um aluno da rede pública de ensino (em ponto-cruz, veja bem), um DVD do É o Tchan na ONU (hein? hein?), um fóssil artificial de mico-leão dourado, um artista talentoso que nunca conseguiu gravar um disco ou expor uma tela, uma versão impressa integral dos cinco blogs brasileiros mais populares, um Lego-Carandiru para montar, invadir e implodir, um Maluf de pelúcia etc.
Ué! Não foi ele que foi pego dizendo que não tinha escrúpulos?! Antão!
E quem nunca foi infame que atire o primeiro Índio Cleberson!